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João-de-Barro

João-de-Barro se orgulhou e depois da própria criação, olhou no espelho. No reflexo viu as paredes, os quadros ainda não pendurados,  os painéis de madeira e os tijolos. Embora fosse o João-de-Barro, era só um nome, pois nada daquilo foi ele quem criou. Não, na verdade pagou com salário recolhido como um Cuco que rouba de outros filhotes a mesada parcelada em jogos, lanches e drogas. Mesmo assim no reflexo João-de-Barro se orgulhou, pois tinha boa aparência Um reflexo marrom e azul-escuro de sabedoria, com alguns títulos que na ficção seriam chamados “Honrarias” porque foram todos conseguidos com alguma medida de fraude. Nada criminoso. Apenas preguiçoso. E a beleza? Caída, flácida, inchada, com cicatrizes.  Freqüentemente fedorento. Mas claro que João era um bom operário  suas ferramentas e seu barro eram abstratos... Palavras, a serem moldadas  ou separadas em fragmentos.
João era um mentiroso.
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Fingindo Melancolia

Acostuma-te com a cova e a merda que te esperam,
são suas!  Velhas amigas estarão reunidas em seu funeral e seus nomes são bem conhecidos: Ingratidão, com a boca enrugada e amarga Solidão, escondida em um rosto vago e a dona do show, Rejeição. Por mais que tragas flores são só para a Ironia,  a mais familiar das velhas amigas. No lugar do túmulo joga um escarro Porque, claro O fim é miserável, como a criança abusada  que foi a vida.

Pé na Estrada

Nem a verdade pode agarrar certas certezas. ou a estrada percorrer toda a viagem. A margem não delimita todo o rio,  nem nascente,  poente,  e paisagem. Nem sempre é gente quem viaja E nem o que queima é sempre quente. Nem sempre as passadas têm um destino. Às vezes é só o gasto solado do sapato arrastando o tempo enquanto vai indo

Mantra II

A minha magia é a volta das mãos que brilham como as palavras de um santo cristão  que desceu ao corpo do meu avô de criação. Meu poder é a palavra  desde que seja controlada pelas margens reais  ou pelas que cabem nos pulmões. Minha espada se chama Perdão, e quando minha voz for de um leão enjaulado  que eu me lembre: as barras são feitas de indecisão. Eu corto com Perdão as quatro direções e entôo o mantra.
Minha magia é a aceitação.

Cat on the run

The cat is a sage in silence,
she is a dune.
She shines a light on my direction
Because she is the horizon  lit by the moon.
Though she thinks she is finished,  she’s really brand new. The cat lies on all directions,  and pounces and plays and then strays away.
She is mine, she is the cold sun
She’s the sand that moves at night
and the cat that falls on its feet,  and runs.
She escapes with the fleet of her thoughts because she is the mist
so she's never lost.

Kirtimukha

O tempo acaba com o tempo- Sem início, sem fim, Que nome há pra isso? A vida devora a vida, E pelo seu fim Reinicia. A face da glória se devora E o pôr-do-sol a aurora imita.

Tempos de Guerra

O dia passa com bravatas E o seguinte com ruínas. Lesmas ensaboam as praças e vespas plotam um motim. As formigas exibem suas armas  contra a super potência dos cupins. Os cães protegem as casas e as cigarras choram pelo fim.
O tempo, como um tigre, boceja
e com um salto sai de sua tocaia.
Ele vem com passadas pesadas e se deita
na parte mais verde do jardim.
O dia passa com bravatas
E o seguinte com ruínas.
Lesmas ensaboam as praças
e vespas plotam um motim.

O tigre dorme.